Acento gráfico e acento tônico – qual a diferença entre eles?

Certamente que estes dois elementos (acento tônico e acento gráfico) não são assim tão desconhecidos para você, não é mesmo? Mas caso sejam, chegou o momento de aprendermos um pouco mais sobre o conceito de cada um deles e, assim, quando estivermos cursando as séries mais adiantadas, não teremos mais nenhuma dúvida em relação a este caso. Sabe por quê? Ah! porque saberemos fazer a distinção que há entre eles, sem nenhum problema! 

Então, que tal começarmos nosso estudo? Vamos lá!!!

                                                                                

A melhor maneira de descobrirmos onde se encontra o acento tônico das palavras é dividindo as sílabas de modo bem devagarinho. Vamos tentar?

bo - la - ca- ne- ta - pin - cel – bom – bom... 

As sílabas que estão grifadas foram aquelas que, ao serem pronunciadas, demonstraram toda sua força, toda sua intensidade. Assim sendo, matamos a charada: o acento tônico refere-se àquela sílaba que possui essa característica. Mas há um detalhe que você precisa saber: para realizarmos essa descoberta, nenhuma das sílabas precisa estar acentuada. 

Sendo assim, o que acontecerá com aquelas que recebem acento? Ah! não se preocupe, falta muito pouco para descobrirmos, pois, como você sabe, há motivos especiais para acentuarmos algumas palavras, tais como: 

ma – çã - au – to –  – vel - lâm – pada... 

A primeira palavra recebe acento porque é uma oxítona terminada em “a”;

A segunda é uma paroxítona terminada em “l”;

E, finalmente, chegamos à terceira – que é uma proparoxítona. E, como você sabe, as proparoxítonas são sortudas... todas elas são acentuadas. 


Como pôde perceber, o acento gráfico está relacionado às regras de acentuação das quais já temos um pouquinho de conhecimento. Dessa forma, ele refere-se àquela sílaba que estiver acentuada.

MORFOLOGIA

 

 

A flexão dos adjetivos

 

Uma das características que norteiam esta classe de palavras é justamente a de serem passíveis de flexão, assim como os substantivos. Flexão esta que se refere ao número, gênero e grau que, de igual forma, também se encontra atrelada a regras pré-estabelecidas, levando-se em consideração a forma pela qual se constituem.

Aqui, de forma específica, enfatizaremos acerca de algumas características relacionadas a uma destas flexões – ora representada pelo gênero –, ou seja, o feminino e masculino. 
Assim sendo, partindo do princípio de que há algumas considerações a serem ressaltadas, analisemos:

Adjetivos biformes

Possuem uma forma para o gênero feminino e outra para o gênero masculino, estando estas condicionadas a alguns pressupostos, assim elucidados: 

a) Os adjetivos terminados em “-o” têm seu feminino constituído pela troca desta terminação, isto é, atribui-se o “a” em detrimento ao “o”.
Exemplos:

lindo – linda
sábio – sábia 
estudioso – estudiosa 


b) Aqueles terminados em “-ês”, “-or” e “-u”, normalmente se formam pela terminação “-a”. 
Exemplos: 

francês – francesa 
acolhedor – acolhedora 


Observação importante: 
Há os que são considerados invariáveis, representados por: 

cortês – hindu – tricolor 

c) Os adjetivos terminados em “-ão” recebem as terminações “-ã”, “-ona” e “-oa”, quando transcritos no feminino. 
Exemplos: 

cristão – cristã 
alemão – alemã
brincalhão – brincalhona 


d) Os adjetivos constituídos da terminação “-eu”, “-éu” têm seu feminino formado por “-eia” e “-oa”.
Exemplos: 

europeu – europeia
plebeu – plebeia


e) Em se tratando dos adjetivos compostos formados por dois adjetivos, apenas o último elemento é que recebe flexão. 
Exemplos: 

vestido verde-escuro – blusa verde-escura
conflito socioeconômico – situação socioeconômica 


Adjetivos uniformes

São aqueles que possuem uma única forma, tanto para o masculino quanto para o feminino. 
Exemplos: 

copo frágil – taça frágil 
marido feliz – esposa feliz 
ator ruim – atriz ruim 
máquinas agrícolas – implementos agrícolas 


Os adjetivos compostos, nos quais o segundo elemento é um substantivo, também integram esta modalidade, tornando-se invariáveis. 
Exemplos:

sapato amarelo-limão – blusa amarelo-limão

Observação digna de nota:

Invariáveis também são os compostos representados por “azul-marinho” e “azul-celeste”. 
Exemplos: 

vestido azul-marinho – saia azul-marinho 
fachada azul-celeste – corrimão azul-celeste

CONTINUANDO MORFOLOGIA...

 

A flexão dos numerais

Como já é sabido, os numerais apresentam algumas peculiaridades, dentre elas, o fato de serem passíveis de flexão. Portanto, atendo-nos a ela, verificaremos a seguir alguns pressupostos dignos de nota, a começar pelos numerais cardinais: 

Numerais cardinais 

Geralmente, estes não são flexionados. 
Exemplos: 

Há dez dias não visito meus familiares. 
Há encomenda de cem salgados para hoje. 


Contudo, os cardinais representados por um, dois e as centenas a partir de duzentos recebem flexão. 
Exemplos: 

O público esperado é de aproximadamente umas quinhentas pessoas. 
São duas as visitas, mas temos somente um quarto. 


Apresentando essa mesma característica também figuram os cardinais representados por “milhão, bilhão, trilhão”, etc. 
Exemplos: 

O investimento na saúde pública foi de dois milhões de reais. 
Durante a gestão daquele candidato, bilhões de verbas foram desviadas. 


Numerais ordinais 

Flexionam-se em gênero e número. 
Exemplo: 

Os primeiros colocados irão ocupar as primeiras cadeiras. 

Numerais multiplicativos

* Quando na função de adjetivos, variam em gênero e número. 
Exemplos: 

Durante sua graduação, recebeu duplas oportunidades de trabalho. 
Carinho e atenção eram oferecidos em triplas doses. 


* Ocupando a função de substantivos apresentam-se como invariáveis. 
Exemplos: 

O dobro dessa quantia foi oferecido aos vigilantes. 
Doze é o triplo de quatro. 


Numerais fracionários 

Concordam em gênero e número com os cardinais que os antecedem. 

Foram cumpridos apenas dois terços da tarefa. 
Somente uma metade da sobremesa já tinha sido consumida.

 

Classes de Palavras

A Primeira gramática do Ocidente foi de autoria de Dionísio de Trácia, que identificava oito partes do discurso: nome, verbo, particípio, artigo, preposição, advérbio e conjunção. Atualmente, são reconhecidas dez classes gramaticais pela maioria dos gramáticos: substantivo, adjetivo, advérbio, verbo, conjunção, interjeição, preposição, artigo, numeral e pronome.

 

Como podemos observar, houve alterações ao longo do tempo quanto às classes de palavras. Isso acontece porque a nossalíngua é viva, e portanto vem sendo alterada pelos seus falantes o tempo todo, ou seja, nós somos os responsáveis por estas mudanças que já ocorreram e pelas que ainda vão ocorrer. Classificar uma palavra não é fácil, mas atualmente todas as palavras da língua portuguesa estão incluídas dentro de uma das dez classes gramaticais dependendo das suas características. A parte da gramática que estuda as classes de palavras é a MORFOLOGIA  (morfo = forma, logia = estudo), ou seja, o estudo da forma. Na morfologia, portanto, não estudamos as relações entre as palavras, o contexto em que são empregadas, ou outros fatores que podem influenciá-la, mas somente a forma da palavra.

Há  discordância entre os gramáticos quanto a algumas definições ou características das classes gramaticais, mas podemos destacar as principais características de cada classe de palavras:

SUBSTANTIVO – é dita a classe que dá nome aos seres, mas não nomeia somente seres, como também sentimentos, estados de espírito, sensações, conceitos filosóficos ou políticos, etc.

Exemplo: Democracia, Andréia, Deus, cadeira, amor, sabor, carinho, etc.

ARTIGO – classe que abriga palavras que servem para determinar ou indeterminar os substantivos, antecedendo-os.

Exemplo: o, a, os, as, um, uma, uns, umas.

ADJETIVO – classe das características, qualidades. Os adjetivos servem para dar características aos substantivos.

Exemplo: querido, limpo, horroroso, quente, sábio, triste, amarelo, etc.

PRONOME – Palavra que pode acompanhar ou substituir um nome (substantivo) e que determina a pessoa do discurso.

Exemplo: eu, nossa, aquilo, esta, nós, mim, te, eles, etc.

VERBO – palavras que expressam ações ou estados se encontram nesta classe gramatical.

Exemplo: fazer, ser, andar, partir, impor, etc.

ADVÉRBIO – palavras que se associam a verbos, adjetivos ou outros advérbios, modificando-os.

Exemplo: não, muito, constantemente, sempre, etc.

NUMERAL – como o nome diz, expressam quantidades, frações, múltiplos, ordem.

Exemplo: primeiro, vinte, metade, triplo, etc.

PREPOSIÇÃO – Servem para ligar uma palavra à outra, estabelecendo relações entre elas.

Exemplo: em, de, para, por, etc.

CONJUNÇÃO – São palavras que ligam orações, estabelecendo entre elas relações de coordenação ou subordinação.

Exemplo: porém, e, contudo, portanto, mas, que, etc.

INTERJEIÇÃO  – Contesta-se que esta seja uma classe gramatical como as demais, pois algumas de suas palavras podem ter valor de uma frase. Mesmo assim, podemos definir as interjeições como palavras ou expressões que evocam emoções, estados de espírito.

Exemplo: Nossa! Ave Maria! Uau! Que pena! Oh!

 

A recorrente flexão dos termos invariavéis

Antes de quaisquer elucidações pertinentes ao assunto em questão, atenhamo-nos ao fato de que uma das características das quais se perfazem as classes gramaticais é a questão de algumas serem invariáveis, como é o caso dos advérbios e das preposições. 

Estas mesmas classes estão completamente ao nosso dispor para que possamos usufruí-las mediante a verbalização e/ou a escrita de nossos pensamentos, nossas ideias, enfim, para nos posicionarmos enquanto seres imersos em uma camada social. Contudo, há que se mencionar que em determinadas circunstâncias, boa parte dos usuários parece ter uma impressão errônea destes recursos, atribuindo-lhes um sentido diferente do convencional. 

Diante desta prerrogativa, torna-se importante que cultuemos sempre “os bons costumes”, em se tratando, principalmente, da escrita. Para tanto, analisemos alguns casos em que se manifesta a recorrente flexão de termos considerados invariáveis, que aqui são considerados flexíveis, erroneamente:

Ora por que atribuir aos temos em destaque a característica de adjetivos quando na verdade classificam-se como advérbios? Eis a questão!

Reformulando tais enunciados linguísticos, obteríamos:

 

O fato é que por serem advérbios – o primeiro retratando circunstância de modo, e o segundo circunstância de intensidade, não são variáveis. Caso fossem adjetivos, haveria esta possibilidade, visto que admitem esta característica. 

Portanto, evite “possíveis” tropeços, interagindo sempre que puder com os fatos que norteiam a língua.